quinta-feira, 30 de julho de 2009

Para amar uma ruiva


"Para amar uma ruiva é preciso haver coração de sobejo.
Não que as ruivas não se amem facilmente. Na verdade, é comum que sejam amadas por muitos. Basta às vezes um só olhar para que isso aconteça.
É que, uma vez acesa a chama, nunca será pequena; será sempre fogo denso, impiedoso, inquisidor.
Portanto, para amar uma ruiva é preciso saber queimar. É preciso brincar sem medo com fogo. E é preciso também respeitá-lo – o fogo que nasce no crânio da ruiva feito cabelo, que lhe afogueia as faces. Um fogo que, quando afrontado, em lugar de aquecer, incinera.
Judas tinha cabelos vermelhos, diz-se; como Esaú também os tinha, e antes dele, Caim. Waterhouse pintou Lamia, lenda de sedução, com cabelos vermelhos; as madeixas com que a Vênus de Boticcelli cobre languidamente o sexo não são de outra cor que não a do fogo. Cor que é certamente um sinal de perigo. Sinal claro de divindade.
Para amar uma ruiva é preciso fitá-la intensamente nos olhos – sejam azuis do mar, verdes dos fiordes ou, mais raramente, castanhos como a terra que os consumirá – e provar-lhe a ausência do medo. Conquistá-la no olhar primeiramente, e só depois no toque – pois tu certamente quererás tocar a pele muito, muito clara, de uma claridade quase ofuscante, mesmo sob o sol maldoso dos trópicos. Quererás isso como teus pulmões querem o ar. Eu sei porque já quis.
Mas, antes disso, terás de provocar seu sorriso, e embora sorrisos sejam fáceis na boca-morango da ruiva, não penses que serão todos teus. Alguns serão da tua tolice, da tua presunção, e estes ela te dará sem cerimônia, sem promessa, sem futuro. Serão paina ao vento, macios e inúteis. O sorriso que queres tomar da ruiva é o do fascínio. Pois ela, que fascina, não quer outra coisa que não ser fascinada. Ela é chama, e para incendiar deve ser alimentada com palavras hábeis, coração honesto, virilidade sem disfarces. É preciso atrevimento, mas nunca certeza; ela é amada por muitos, e pode escolher a quem amar.
Então, quando obtiveres esse sorriso, estarás pronto para amar uma ruiva.
Para isso, começa sempre no beijo, mas que ele não seja sempre nos lábios-cereja, porque o óbvio a mortifica e ela deseja a surpresa, o ato que lhe faça justiça. Que teu beijo, pois, seja às vezes na superfície interna do pulso, onde veias de sangue azul chamam o olhar e provam que a pele é sensível; às vezes, no canto esquecido abaixo da orelha, que não é nem pescoço nem face, nem amor nem desejo – é algo entre mundos, e estar entre mundos é da natureza da mulher de cabelos carmesim, cobre ou dourado-fogo. Fica, pois, entre os mundos dela, como entre os lábios, entre os braços, entre os seios e afinal entre as coxas. Sem pressa, porém; pois para amar uma ruiva é preciso queimar como boa madeira no inverno: por toda uma noite, aquecendo a casa, crepitando baixo, estremecendo sempre até as cinzas.
Para amar uma ruiva é necessário amar-lhe cada sarda, da testa ao ventre, saboreando-as como raspas de canela que temperam a pele-leite.
É preciso consumir-se nos cabelos-labareda.
É preciso afogar-se no sexo, rubro jardim sem espinhos, e santificar seu aspecto perpetuamente virginal, a despeito do pecado, que ela te ensinará a adorar, se já não souberes.
Para amar uma ruiva – e disso sei por já ter amado muitas – é preciso arder com graça.
É preciso amar um pouco o próprio inferno."
Confusão e incerteza, desde sempre que vai parte de mim.
Digamos que por vezes me sinto mutável. Sou uma fonte de profundas e apaixonantes emoções.
Creio que as minhas constantes alterações d ehumor se devem a isto.
Sou uma sonhadora nata e acredito que vivo num mundo onde imperam a esperança, a amizade e o amor. Logo, encarar a realidade nem sempre me é fácil. Sou uma indecisa, e muitas vezes sonho para me refugiar deste mundo terreno tão complicado. Procuro horizontes mais planos para poder voar mais alto.
Tenho dificuldade em saber que caminho devo tomar para conseguir vencer e alcançar os meus objectivos.
Tenho uma forte intuição. Já o comprovei inúmeras vezes. Guio-me por ela e normalmente bate certo. E talvez por isso nas minhas decisões ignoro a lógica e a razão, não reagindo racionalmente. As maiorias das minhas acções são comandadas pelo sentimento e pelo meu idealismo e inspiração.
Mas pior que isso... é a minha faceta masoquista. Choro com muita facilidade sobre mim mesma.
Mas felizmente já criei um certo "calor" e consigo controlar melhor este aspecto. No principio desta metamorfose, cheguei a pensar que me estava a o tornar numa pessoa horrivel, mas acabei por perceber que apenas aprendi, ou estou a aprender, a proteger-me dos outros e a proteger-me de mim mesma.
Sou extremamente sensivel (reconheço que em demasia) e parece que tudo o que acontece à minha volta interfere com a minha maneira de estar. Sinto os problemas do outros e absorvo os seus sentimentos sejam eles bons ou maus.
Sou apaixonada e uma eterna romântica. Às vezes só me falta morrer de amor. Mas, quando há a necessidade de me tornar fria para alguém "seco" e não há volta a dar. Acho-me uma pessoa justa e por vezes demasiado tolerante, portanto não me venham com embrulhos, depois da borrada feita.
Felizmente tenho uma familia fantástica, 3 irmãs adoráveis (cada uma à sua maneira), dois docinhos de sobrinhas e uma mão cheia de bons amigos. E considero-me feliz. Não me falta nada felizmente. E enquanto houver saúde..... oh meus amigos o resto vem por acréscimo :)

Ai

Mais uma visita a um sitio que não me pertence, mas que quase sinto como meu. Calma... Sinto-o meu, não. Mas aqui sinto-me tão serena... Quando cá venho tenho vontade de desligar o telemóvel, e ficar aqui até me fartar.
Vivo de afectos e cada vez mais dou mais valor aos laços. Amigos?! Pouquinhos, mas tão bons :). Não preciso de nada mais. Um abraço, uma conversa, um simples café, ou apenas ficar a vê-los conversar. É tão reconfortante saber que seja às duas da tarde de um sábado, ou às cinco da manhã de um dia de semana, estão lá para mim quando preciso. Para me ouvirem, para me darem na cabeça, para se patirem a rir com os meu delirios ou simplesmente para me darem a mão e me dizerem: "tem calma, pelos menos aqui e agora estás bem, tira proveito disso".

Obrigada a esses meus docinhos.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Gosto de ser como sou


Gosto de ser eu.
Porque gosto de viver, gosto de viver o que sonho...
Gosto de acreditar, de lutar pelo que acredito, pelo que me faça sentir bem, em harmonia, em equilibrio, talvez feliz.
Gosto muito de música, pela rapidez com que me faz sentir coisas grandiosas e fundamentais. Gosto de conversar com musica de fundo, de estudar, de sonhar (a maior parte das vezes acordada)...
Gosto de me emocionar, de me deixar levar...
Não gosto de música quadrada, da pobreza de ideias, da cópia de mau gosto, do mau gosto, do faz de conta que é, mas nao é, e nunca será!
Gosto da entrega...!!!
Gosto do altruísmo, mas também gosto de quando sou egoísta (quantas vezes é preciso...)
Gosto de pessoas, de conhecer pessoas... Pessoas que acreditam em alguma coisa...
Não gosto de mediocridade, de estupidez, de hipocrisia, de paternalismo, de agressão, de egos fortes...
Mas fundamentalmente não gosto de estupidez. Irrita-me!
Gosto de ter limites, mas também de sentir que não os tenho. Inspira-me!
Não gosto de hermetismos.
Gosto de abertura, do poder de encaixe. Não gosto do politicamente correcto.
Gosto da audácia, da transgressão, da coragem, do VALOR.
Sou assim.

Ficava a ouvir-te falar horas e horas sem dar conta do tempo.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Para ser grande, sê inteiro


Para ser grande, sê inteiro
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive

Ricardo Reis

Obrigada Rodrigo



Obrigada Rodrigo. Hoje inspirei-me no teu último post.
Quando era pequena sonhava vir a ser como a grande Jessica Rabbit (já sou ruiva, só falta o resto LOL).

Queria trabalhar num bar em Nova Iorque e ser cantora de Soft Jazz. Delicio-me com o vídeo que se segue:

http://www.youtube.com/watch?v=yy5THitqPBw




P.S.: acho que ainda acredito na possibilidade de um dia em Nova Iorque claro, vestida de vermelho cantar muito baixinho ao ouvido de alguém " Why don't you do right".

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Sono muito sono.

Acordei as 8.20h.
Já são 10.40 e continuo na mesma. Carregada de sono. Só eu sei o sacrificio que fiz em deixar a minha rica caminha hoje.
Ontem desde que saí do escritório não parei de fazer coisas em casa até a 1 da manhã. E quando finalmente me deitei e adormeci não parei de sonhar até de manhã. Acho que ainda acordei mais cansada do que quando me deitei.
Mas hoje quando sair daqui e chegar a casa, não tenho rigorosamente nada para fazer (ufa... que bom).
Tenho tudo orientado, tudo arrumado e jantar feito.
Ás vezes sinto-me obcecada pela arrumação. Tenho de ter sempre tudo limpo e arrumado, organizado. Não suporto ver louça por arrumar, roupa por passar, lixo por despejar etc.
E esta semana sinto-me orgulhosa do meu ninho :).
A minha colega de casa foi de férias com o respectivo dela. Não é que ela seja muito desarrumada, mas não é tão organizada como eu, e às vezes irritam-me cenas do tipo: querer ir para a sala e não ter sequer lugar onde me sentar, ou querer estrelar um ovo e não ter uma única frigideira lavada... Já lá vai o tempo que lavava as coisas dela e não lhe dizia nada, agora quando isso acontece digo-lhe logo as coisas como elas são.
Adiante...
Às vezes a minha excessiva arrumação dá-me vontade de rir. Se eu fosse um Dona de Casa Desesperada era com certeza a Bree. Primeiro é ruiva como eu, ahaha. Depois é a organização em pessoa, excelente cozinheira e adora receber como deve de ser, e claro... é muito muito elegante, muito muito chique ahaha!
Quando me sair o Euromilhões, depois de arranjar um apartamento cheio de arrumação e muito prático arranjo alguém para passar a ferro e limpar a casa, pois eu gosto de ter tudo organizado, mas o tempo que se perde com a casa é demais!

terça-feira, 21 de julho de 2009

SHIUUUU

Sim, é verdade que fumo canhões. E depois?

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Fim de semana brutal!



Sexta-feira saí do escritório, dirigi-me à paragem de autocarro mais próxima e quase que me deu um "ámoque" quando vi que faltava ainda meia hora para o meu autocarro. Dei meia volta e voltei para trás para tentar um outro autocarro. Mas ao passar novamente pelo escritório resolvi ligar a um colega meu, para saber se ele queria ir beber um cafézinho lá a casa de forma a comemorar a chegada de mais uma sexta-feira.
Longe de mim pensar, que não íamos só beber café, mas ouvir músicas que não ouvia há milénios, jantar, passar algumas 5 horas no Plateau sempre a curtir (quase que a prestar uma homenagem ao Michael Jackson) e acabar no "grego" mesmo ao lado de um incêndio na Almirante Reis.

Já não tinha uma noite assim há muito tempo. Ri-me com tanta vontade. Dancei sentindo o sangue a borbulhar-me nas veias. Cantei, como se fosse a melhor cantora do mundo. Senti-me tão bem que às vezes até tinha vontade de chorar, de tão emocionada que estava.
Andava para aí desde Janeiro a dizer: "Nunca mais saí à noite a sério"; "Este fim de semana é que é"; "deste não passa"; "porra ainda não foi desta"; "este fim de semana tenho de ir fazer não sei o quê não dá".
E nesta sexta-feira, sem nada combinado, sem planos nenhums, pumba! Uma noite 5 estrelas!
Com duas pessoas 5 estrelas! Uma quase minha irmã por morarmos juntas, por partilharmos tudo, casa, comidas, a rotina do dia a dia, e muito mais. E o outro, colega quase irmão por com ele conseguir falar de tudo (ou quase tudo xD), tal como falo com a minha irmã Joana.

Na sexta percebi que isto de me isolar quando estou menos bem não me leva a lado nenhum. Muito pelo contrário. Fico sozinha com os problemas e pensamentos negativos e só me faz pior.
Percebi que posso partilhar a vida com mais alguém, mas que não a posso partilhar só com uma pessoa.
Percebi que vivo de afectos, de emoções, de ligações genuínas, que adoro os meus amigos (poucos, mas tão bons). É isso que me enche o peito. Um sorriso, uma gargalhada e mais uma pirueta a cantar "Like a Virgin"... Isso sim.
E não foste só tu que te despiste de preconceitos mas nós também. Mas falo só de mim agora. O verdadeiro Pato, saiu à rua na sexta-feira. Cantou pimba, disse as maiores parvoíces, dançou à maneira dele e pronto.

Obrigada aos dois. Eu estava tão contente que só tinha vontade de vos abraçar e encher-vos de beijinhos :).

Próximo fim-de-semana como é? ahaha

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Brincar aos que vivem bem :)

Ontem foi dia de brincar aos que vivem bem.

Saí do trabalho fui comprar os óculos que há tanto preciso. Que negócio do caraças! Uns óculos graduados que me devia custar 332 € custaram-me uns meros 82€ graças a maravilhosa companhia de seguros Allianz.

Depois, de tratar de tudo isso, fui a casa tomar um grande duche e segui rumo ao Bairro Alto, onde jantei no melhor restaurante italiano do mundo: Mamma Rosa! Com um ambiente muito acolhedor, cheio de velinhas, com pequenas mesas cobertas com toalhas aos quadradinhos vermelhos e brancos, com o menú delicioso e uma carta de vinhos fantástica, é desde há muito o meu restaurante favorito na capital.

Dali subi mais um bocadinho até ao Pavilhão Chinês. Nunca lá tinha ido, e fiquei de boca aberta com a decoração do espaço. Quero lá voltar, mas mais cedo, de maneira a poder ver tudo com mais calma. Bebi um chá todo Xpto, de laranja, canela e outra coisa qualquer que não me lembro.



E assim se brinca, por uma noite, aos que vivem bem :).

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Hoje de manhã


Acordei cedo, depois de 12 horas seguidas a dormir, envolta no teu mimo. Tu ainda dormias, mas como sempre abraçado a mim.
O quarto cheirava a Verão e a cama tinha a temperatura ideal. Sobre mim, apenas o lençol o que aumentou a preguiça.
Como ainda tinha tempo fiquei a contemplar-te. Centímetro quadrado por centímetro quadrado.
A tua pele (estás cada vez mais bronzeado), o teu cabelo, as tuas mãos, a respiração ritmada própria de quem está a dormir um sono profundo.
Acordei um bocadinho mais apaixonada por ti que ontem.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Melhor que ele....


..só mesmo chocolate :).
Se há homem na televisão que me tira do sério com o seu charme é este senhor. Uf...

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Ele há com cada uma...


"Você é um anjinho."

Vindo do estafeta da MRW.
E o que é que uma pessoa faz depois de uma cena desta se não desatar a rir-se na cara do pobre rapaz?

Um problema nunca vem só

Já bastava teres saído uma vez mais cá de casa de trombas comigo quando afinal tu é que és a causa do problema por seres um comodista, um zé-ninguem à procura de sabe-se lá o quê, à espera que eu corra atrás de ti para sempre acreditanto que vais mudar, e que vais resolver tua vida.
Coitadito... Estás TÃO enganado!

Foi então que recebi a visita dum anjo, que me falou dum amigo meu.

Dum amigo, muito especial.
Dum amigo que eu achava que já tinha esquecido.
Dum amigo que eu julgava que já me tinha esquecido.
Mas esse amigo continua lá.



E a nossa magia não morreu. Muito pelo contrário, transformou-se num vulcão que eu achava que estava extinto e afinal, depois de ter ameceado há dois fins de semana que voltava, hoje entrou em actividade.
E hoje passados dois anos senti que esse tal vulcão ainda tem muito para expelir.
E de repente vejo-me entre o medo de magoar e o desejo de ser feliz.
E de repente vejo-me entre uma relação super complexa, em que não sei até que pode estás disposto a lutar por nós e entre o meu Mago Louro com alma de surfista, que me prometeu, olhos nos olhos, que a nossa história não acabou ali. E hoje senti pela primeira vez essas reticências.
Comecei a senti-las há dois fins de semana atrás. Mas acordei logo, acreditanto que tudo era fruto da minha fértil imaginação.
Mas aquela noite, marcou-nos aos dois, sem nos termos tocado, sem nos termos abraçado. E que vontade tive de a certa altura lhe pedir um abraço. Um só abraço.
Nessa noite uma tranquilidade inexplicável invadiu-me o peito e senti-me segura como nunca, talvez por te saber à distância de um corredor.
Envolveste-me na tua doce magia, falaste-me como quem beija. E ao olhar-te nos olhos, enquanto discretamente me mostravas o caminho, sentia o teu corpo no meu. Senti o teu cheiro. Que em nada mudou desde aquele noite em que me senti amada e desejada como nunca.
Em que pensei "és tu quem eu quero", "é isto que eu quero".
E lembrei-me de todas as vezes em que te imaginei de manhã levares o meu pequeno almoço à cama.
E lembrei dos jantares que imaginei.
E lembrei-me dos dias passados na praia que tanto desejei.
E lembrei-me de me teres dito num jantar sabe-se lá onde, sabe-se lá com quem: "Miúda tu não páras. Um dia ainda te levo comigo para casa." E lembrei-me de ter pensado: "Não o digas duas vezes."
E lembrei daquele ser que desejei ter gerado contigo.
E lembrei-me quando naquel quente dia de Agosto, enquanto carregava um gigante bolo de aniversário, ter visto o teu principe, e ter entrado em pânico por saber que estavas ali e esse pânico ainda se tornou mais profundo quando de repente ouço atrás de mim: "Já tinha perguntado ao Reguila por ti." Foi um milagre a minha sobrinha não ter ficado sem bolo.
E lembrei-me do gozo que o encanto que despertas em mim me dá.
E senti todos os castelos no ar a ganharem forma de novo. E senti que não foi por acaso que o destino nos cruzou. E senti que não foi por acaso que o destino (ou simplesmente a minha inocência) nos separou.
Acredito que nos separámos para que o destino nos desse um reencontro feliz. E não falta assim tanto para esse reencontro, para esse reacender da nossa história.
Tenho medo de mais uma vez estar a acreditar num sonho.
Tenho medo que tudo isto seja verdade e que a outra pessoa sofra. A última coisa que queria era magoá-la que por muitos defeitos que tenha, gosta de mim e eu dele, e só o quero ver feliz.
Tenho medo que leias isto e me digas que isto tudo é mentira.
Mas do que tenho mesmo medo é que isto de facto seja verdade e que tu leias isto e me confirmes essa verdade em que tanto acredito, essa verdade que puxa devagarinho um breve sorriso, essa verdade que pode ser a nossa felicidade.


"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise…
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história…
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma…
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida…
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos…
É saber falar de si mesmo…
É ter coragem para ouvir um "não"…
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta…
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

Fernando Pessoa

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Avô


Meu Papi:
Estás no Hospital há quase uma semana. Dói-me este Oceano Atlântico entre nós mais que nunca.
Os médicos dizem que o teu coração está cansado... Já são 88 anos. E já fizeste tanta coisa :).
Graças a ti hoje há luz no Alasca. Se não fosses tu, os esquimós continuavam a jantar à luz das velas.
Estás doente há 60 anos. Descobriram a tua doença ainda o Pai estava na barriga da Mamie.
E nunca te queixaste, a tua doença nunca foi um problema para ti. Mesmo agora que andas numa cadeira de rodas toda Xpto gozas comigo por "correres" mais depressa que eu :).
Sempre foste assim. Sempre com um sorriso na cara, sempre com uma piada na ponta da lingua.
Sempre pronto a ajudar.
Lembro dos nossos dias passados na quinta. De brincares comigo a tudo. Lembras-te de quando eu dizia que eras meu filho? Eu com 4 anos, com um filho com 1.90 m. Ahah.
E cheio de dificuldades em mexer-te, cheio de dores com certeza, jogavas à bola comigo.
Mostraste-me o Canadá de uma ponta à outra. Ensinaste-me tudo sobre o nosso país.
Levavas-me as festas de Evoramonte vezes sem conta (onde só se ouvia a tal musiquinha Pimba que odeias) quando estavas cá de férias, porque sabias que eu adorava aquilo.
Comiamos os dois chocolate às escondidas da Mamie antes de jantar, e lambiamos o prato da sobremesa quando a Mamie virava costas.
Ensinaste-me tudo sobre a 2.ª Guerra. Onde combateste, nos céus da Alemanha.
Não me deixes Papi. Eu não estou preparada...
Vão te parar o coração e tentar reanimar-te para ver se ele volta a ter o mesmo ritmo.
E tu sabes disto tudo, estás lúcido e como sempre na boa. Estás tranquilo como sempre.
Mas não vás já. Ainda podemos fazer tanta coisa juntos...
Não vás já Papi, não vás...

quarta-feira, 8 de julho de 2009

terça-feira, 7 de julho de 2009

Confusão


Já não sei o que pensar.
Já não sei o que sentir.

Prometi a mim mesma que não te escrevia mais, por não mereceres, mas dei-te o tal crédito que tantas vezes me pedes e fi-lo novamente.
No fim do dia, disseste-me o que disseste.
Muitas vezes penso que era mais feliz se me mentisses, ou se pura e simplesmente não falasses. Creio que não tens, muitas vezes, a noção do poder das palavras, e da forma como às vezes me magoas com a tua sinceridade. Acredita, que se ontem não tivesse a pressa que tinha, teria perdido tempo a dar-te na cabeça, ou talvez não. Porque já não me importa. Porque eu falo, eu peço, eu sugiro, eu tantas coisas... tu prometes e nunca fazes nada. Não mudas, não me ouves, não me compreendes e sempre que podes ainda te dedicas a piorar a situação.
Perguntam-me por ti, e minto ao dizer que estás cheio de trabalho.
Perguntam-me por nós e fujo para não responder.
Tenho vergonha de dizer a verdade, porque sei que uma situação assim não me vai levar a lado nenhum e só me vai trazer ainda mais problemas do que os que tenho e só me vou magoar, uma vez mais.

A minha metamorfose está quase completa. Já faltou bem mais para bater as asas e partir de uma vez só, deixando-te com o teu mundo.
Acho que a pouco e pouco vou percebendo que não passas de um comodista.

Um dia quando acordares e sentires o cheiro da manhã e o cheiro das flores no primeiro dia de uma Primavera que há de chegar, vais-te lembrar de mim.
Um dia quando ao cheirares um dessas flores uma borboleta pousar no teu nariz, vais-te arrepender de não me teres recebido bem, depois de me teres convidado a ficar.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Amo-te


Não te sei dizer porquê.
Nem porque não.
Mas sei, sinto, que te amo.
Que gosto de ti.
Não gosto de ti pelo teu corpo.
Nem pelos teus cabelos.
Nem pelos teus olhos.
Gosto de ti por um todo.
Gosto de ti porque gosto de ti.
Gosto de ti, e não o sei explicar.
Gosto de ti pelo conforto que me dás.
Gosto de ti quando me abraças.
Gosto de ti quando chove ou quando o sol brilha.
Gosto de ti quando estás perto de mim.
Mas também gosto de ti quando estás longe.
Vou continuar a amar-te quando muitos anos se passarem.
Se um dia partires vou continuar a amar-te.
Porque és a melhor pessoa que amei.
Aliás, és a unica que amaei verdadeiramente.
Porque é impossivel deixar de gostar de alguém como tu.
Porque sempre te vou olhar com respeito e admiração.
A não ser que me magoes muito, mas ainda assim vou sempre gostar de ti.
Vou continuar a lembrar-me dos teus braços e abraços...
Do teu riso e do teu sorriso.
Vou continuar a amar-te assim sem explicação, sem medida,
mesmo tu não o sabendo.
Vou continuar neste caminho onde tu estás ao meu lado,
mas à distância, à distância de um abraço apertado daqueles que duram uma eternidade, aqueles que nos lembramos quando muitos anos passarem.
E nessa altura, irei ter contigo e dir-te-ei que te amo.
Mesmo já quando os meus olhos pouco virem,
mesmo já quando a minha pele estiver enrugada,
mesmo quando já não me lembrar do resto.
Quando isso acontecer, vou lembrar-me de ti,
e vou dizer-te que gosto de ti, e isso irá fazer-me feliz, pelo menos mais uma vez!
Há coisas que não se apagam, e que ficam.
Para sempre! (Mesmo que não tenham explicação).
Gosto muito de ti.
Um dia saberás isso, um dia.
Um dia quando acordares e sentires o cheiro da manhã e o cheiro das flores no primeiro dia de uma Primavera que há de chegar.


Um dia quando ao cheirares um dessas flores um borboleta pousar no teu nariz.

Um dia...

sexta-feira, 3 de julho de 2009

12.º signo do zodíaco


PEIXES
O símbolo do Peixes é constituído por dois peixes, um para a alma e outro para a personalidade. Nadam na direcção oposta. Os Peixes sentem que ambos sobem corrente acima. São problemáticos. Más línguas ou mau tempo podem deixá-los deprimidos por várias semanas. Os Peixes não esperam muito da vida, sabem que estão destinados a chegarem em último lugar. Acreditam que o merecem, porque devem ter feito algo de errado. São mártires e santos. Preocupam-se demasiado com os problemas dos outros . Farão qualquer coisa para nos ajudar, mas não sabem como se ajudarem a si próprios. Possuem demasiada auto-piedade. Precisam de tempo para si próprios para reunirem energias. Os Peixes adoram poesia, arte, coisas místicas e acreditam em magia.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Miragens


Escorre pelo meu rosto e percorre cada poro da minha pele...
Passas a tua mão quente pelo meu rosto, num gesto em segredo...
Somos dois amantes discretos e ninguém é cúmplice do nosso amor, não o confessamos a ninguém (embora toda a gente o saiba), quebraria o encanto e toda a intensidade de cada encontro que me faz cair de amor em cada abraço, em cada beijo que me arrasa, que me faz respirar fundo antes de adormecer.
Sabes porque deixei de pensar em ti antes de adormecer?
Porque sei que isso te prenderia mais a mim (e é uma forma de te proteger de mim e a mim da mesma pessoa), e eu quero-te bem solto...
Se ficares na minha vida, é porque queres ficar, se fores, também não te vou impedir.
Sei que em cada passo somos a imagem um do outro, hoje sou uma escultura moldada por ti... Moldaste-me em cada segundo, em cada beijo, em cada lágrima que mesmo longe choras-te comigo.
Sei que em qualquer lugar do mundo ficaremos juntos para além das horas do relógio...
Dou-te a mão por baixo da mesa, dou-te um beijo no escuro, para que ninguém veja, e sei que quando não estás comigo pensas em nós e quando a olhas me vês nos seus olhos.
Não me venhas falar de amor, o nosso ficou gravado nas horas, em cada pedra da calçada, em cada noite passada rebolando na cama pensando como ia acabar esta paixão.
E sinto o bater do teu coração ao meu lado, finjo que durmo para não ter de te dizer o quanto te amo e aí é mais fácil ir embora, e tu olhas-me querendo que eu te faça perder a cabeça e passar os limites, mas enquanto o teu corpo for dela, a tua alma continua a ser minha e olhas-me mais uma vez até que adormeces...
Agora fui eu que me vim embora antes que acordasses, sem nenhum bilhete, mudei o número, mudei de morada para que não me procurasses e assim seria apenas eu a procurar-te quando te quisesse encontrar. Mas mesmo assim, como aquela nossa amiga nos disse no outro dia, continuas a ser tu quem pode vir quando quiser.
E procurar-te-ia se largasses o prazer do momento, por um amor para a vida toda.
Resta-nos os nossos encontros em sonhos distantes.
Em cada passo, vais querer seguir-me, mas não venhas, enquanto não te despires do mundo.
Molhas-me o rosto, secas-me a pele, num beijo profundo que me cega em cada segundo da vida.

Já não és tu, não sou eu, são duas miragens de nós.

quarta-feira, 1 de julho de 2009


Falta-me o ar e o sol.
Falta-me sono, falta-me paz.
Faltas-me tu, e falta-me ele.
Apetece-me ir para casa tomar um banho,
enfiar-me na cama e adormecer, e sonhar alto, tão alto, que demore pelo menos dias a voltar.
E mais uma vez tenho medo, de ti (porque nada mudast) e dele (porque nunca mudou também).
E acima de tudo tenho medo de mim.