quinta-feira, 30 de julho de 2009

Para amar uma ruiva


"Para amar uma ruiva é preciso haver coração de sobejo.
Não que as ruivas não se amem facilmente. Na verdade, é comum que sejam amadas por muitos. Basta às vezes um só olhar para que isso aconteça.
É que, uma vez acesa a chama, nunca será pequena; será sempre fogo denso, impiedoso, inquisidor.
Portanto, para amar uma ruiva é preciso saber queimar. É preciso brincar sem medo com fogo. E é preciso também respeitá-lo – o fogo que nasce no crânio da ruiva feito cabelo, que lhe afogueia as faces. Um fogo que, quando afrontado, em lugar de aquecer, incinera.
Judas tinha cabelos vermelhos, diz-se; como Esaú também os tinha, e antes dele, Caim. Waterhouse pintou Lamia, lenda de sedução, com cabelos vermelhos; as madeixas com que a Vênus de Boticcelli cobre languidamente o sexo não são de outra cor que não a do fogo. Cor que é certamente um sinal de perigo. Sinal claro de divindade.
Para amar uma ruiva é preciso fitá-la intensamente nos olhos – sejam azuis do mar, verdes dos fiordes ou, mais raramente, castanhos como a terra que os consumirá – e provar-lhe a ausência do medo. Conquistá-la no olhar primeiramente, e só depois no toque – pois tu certamente quererás tocar a pele muito, muito clara, de uma claridade quase ofuscante, mesmo sob o sol maldoso dos trópicos. Quererás isso como teus pulmões querem o ar. Eu sei porque já quis.
Mas, antes disso, terás de provocar seu sorriso, e embora sorrisos sejam fáceis na boca-morango da ruiva, não penses que serão todos teus. Alguns serão da tua tolice, da tua presunção, e estes ela te dará sem cerimônia, sem promessa, sem futuro. Serão paina ao vento, macios e inúteis. O sorriso que queres tomar da ruiva é o do fascínio. Pois ela, que fascina, não quer outra coisa que não ser fascinada. Ela é chama, e para incendiar deve ser alimentada com palavras hábeis, coração honesto, virilidade sem disfarces. É preciso atrevimento, mas nunca certeza; ela é amada por muitos, e pode escolher a quem amar.
Então, quando obtiveres esse sorriso, estarás pronto para amar uma ruiva.
Para isso, começa sempre no beijo, mas que ele não seja sempre nos lábios-cereja, porque o óbvio a mortifica e ela deseja a surpresa, o ato que lhe faça justiça. Que teu beijo, pois, seja às vezes na superfície interna do pulso, onde veias de sangue azul chamam o olhar e provam que a pele é sensível; às vezes, no canto esquecido abaixo da orelha, que não é nem pescoço nem face, nem amor nem desejo – é algo entre mundos, e estar entre mundos é da natureza da mulher de cabelos carmesim, cobre ou dourado-fogo. Fica, pois, entre os mundos dela, como entre os lábios, entre os braços, entre os seios e afinal entre as coxas. Sem pressa, porém; pois para amar uma ruiva é preciso queimar como boa madeira no inverno: por toda uma noite, aquecendo a casa, crepitando baixo, estremecendo sempre até as cinzas.
Para amar uma ruiva é necessário amar-lhe cada sarda, da testa ao ventre, saboreando-as como raspas de canela que temperam a pele-leite.
É preciso consumir-se nos cabelos-labareda.
É preciso afogar-se no sexo, rubro jardim sem espinhos, e santificar seu aspecto perpetuamente virginal, a despeito do pecado, que ela te ensinará a adorar, se já não souberes.
Para amar uma ruiva – e disso sei por já ter amado muitas – é preciso arder com graça.
É preciso amar um pouco o próprio inferno."
Confusão e incerteza, desde sempre que vai parte de mim.
Digamos que por vezes me sinto mutável. Sou uma fonte de profundas e apaixonantes emoções.
Creio que as minhas constantes alterações d ehumor se devem a isto.
Sou uma sonhadora nata e acredito que vivo num mundo onde imperam a esperança, a amizade e o amor. Logo, encarar a realidade nem sempre me é fácil. Sou uma indecisa, e muitas vezes sonho para me refugiar deste mundo terreno tão complicado. Procuro horizontes mais planos para poder voar mais alto.
Tenho dificuldade em saber que caminho devo tomar para conseguir vencer e alcançar os meus objectivos.
Tenho uma forte intuição. Já o comprovei inúmeras vezes. Guio-me por ela e normalmente bate certo. E talvez por isso nas minhas decisões ignoro a lógica e a razão, não reagindo racionalmente. As maiorias das minhas acções são comandadas pelo sentimento e pelo meu idealismo e inspiração.
Mas pior que isso... é a minha faceta masoquista. Choro com muita facilidade sobre mim mesma.
Mas felizmente já criei um certo "calor" e consigo controlar melhor este aspecto. No principio desta metamorfose, cheguei a pensar que me estava a o tornar numa pessoa horrivel, mas acabei por perceber que apenas aprendi, ou estou a aprender, a proteger-me dos outros e a proteger-me de mim mesma.
Sou extremamente sensivel (reconheço que em demasia) e parece que tudo o que acontece à minha volta interfere com a minha maneira de estar. Sinto os problemas do outros e absorvo os seus sentimentos sejam eles bons ou maus.
Sou apaixonada e uma eterna romântica. Às vezes só me falta morrer de amor. Mas, quando há a necessidade de me tornar fria para alguém "seco" e não há volta a dar. Acho-me uma pessoa justa e por vezes demasiado tolerante, portanto não me venham com embrulhos, depois da borrada feita.
Felizmente tenho uma familia fantástica, 3 irmãs adoráveis (cada uma à sua maneira), dois docinhos de sobrinhas e uma mão cheia de bons amigos. E considero-me feliz. Não me falta nada felizmente. E enquanto houver saúde..... oh meus amigos o resto vem por acréscimo :)

Ai

Mais uma visita a um sitio que não me pertence, mas que quase sinto como meu. Calma... Sinto-o meu, não. Mas aqui sinto-me tão serena... Quando cá venho tenho vontade de desligar o telemóvel, e ficar aqui até me fartar.
Vivo de afectos e cada vez mais dou mais valor aos laços. Amigos?! Pouquinhos, mas tão bons :). Não preciso de nada mais. Um abraço, uma conversa, um simples café, ou apenas ficar a vê-los conversar. É tão reconfortante saber que seja às duas da tarde de um sábado, ou às cinco da manhã de um dia de semana, estão lá para mim quando preciso. Para me ouvirem, para me darem na cabeça, para se patirem a rir com os meu delirios ou simplesmente para me darem a mão e me dizerem: "tem calma, pelos menos aqui e agora estás bem, tira proveito disso".

Obrigada a esses meus docinhos.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Gosto de ser como sou


Gosto de ser eu.
Porque gosto de viver, gosto de viver o que sonho...
Gosto de acreditar, de lutar pelo que acredito, pelo que me faça sentir bem, em harmonia, em equilibrio, talvez feliz.
Gosto muito de música, pela rapidez com que me faz sentir coisas grandiosas e fundamentais. Gosto de conversar com musica de fundo, de estudar, de sonhar (a maior parte das vezes acordada)...
Gosto de me emocionar, de me deixar levar...
Não gosto de música quadrada, da pobreza de ideias, da cópia de mau gosto, do mau gosto, do faz de conta que é, mas nao é, e nunca será!
Gosto da entrega...!!!
Gosto do altruísmo, mas também gosto de quando sou egoísta (quantas vezes é preciso...)
Gosto de pessoas, de conhecer pessoas... Pessoas que acreditam em alguma coisa...
Não gosto de mediocridade, de estupidez, de hipocrisia, de paternalismo, de agressão, de egos fortes...
Mas fundamentalmente não gosto de estupidez. Irrita-me!
Gosto de ter limites, mas também de sentir que não os tenho. Inspira-me!
Não gosto de hermetismos.
Gosto de abertura, do poder de encaixe. Não gosto do politicamente correcto.
Gosto da audácia, da transgressão, da coragem, do VALOR.
Sou assim.

Ficava a ouvir-te falar horas e horas sem dar conta do tempo.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Para ser grande, sê inteiro


Para ser grande, sê inteiro
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive

Ricardo Reis

Obrigada Rodrigo



Obrigada Rodrigo. Hoje inspirei-me no teu último post.
Quando era pequena sonhava vir a ser como a grande Jessica Rabbit (já sou ruiva, só falta o resto LOL).

Queria trabalhar num bar em Nova Iorque e ser cantora de Soft Jazz. Delicio-me com o vídeo que se segue:

http://www.youtube.com/watch?v=yy5THitqPBw




P.S.: acho que ainda acredito na possibilidade de um dia em Nova Iorque claro, vestida de vermelho cantar muito baixinho ao ouvido de alguém " Why don't you do right".